
a genialidade dessa banda foi, como sua efêmera duração, curta e grossa. e infelizmente foi pouco compreendida por publico e crítica. digamos que referência - isso pode parecer cretino, mas é verdade - tem um papel fundamental no sucesso de uma banda: sem entender as tendências pra onde o som moderno discorre, sem essa referência, a midia especializada fica perdida. a identidade de uma boa banda pode ser, dessa forma, mastigada e descartada. destruida. todos eles, sim, compreendiam que os Jehu eram geniais, visionários, a frente de seu tempo, mas por falta de referência maior classificavam seu som como um dos pontos de partida do chamado emocore. Drive Like Jehu não é emo: fato. e tenho quase certeza que foi isso que afastou o publico que buscava o emocore e que afungentou o publico sem maiores pretensões a não ser a busca por novas sonoridades. isso destruiu a credibilidade sonora da banda. resumindo sem ser especifico: em dados momentos soavam como uma banda desert tipo Kyuss ou Fu Manchu, com uma veia punk na praia Greg Ginn / Die Kreuzen, e com resquícios de grunge a lá Tad / Green River. ok, hoje em dia eu consigo definir isso. mas e quando eles começaram a tocar, no começo dos anos 90, quem se arriscaria a lançar esses palpites??...
o que seria o som do Drive Like Jehu então? analises, vamos lá. 1- construções enormes e disconexas, mudanças bruscas de andamento, dissonância constante usando as pontes do braço e da entrada das cordas da guitarra, como em O' Pencil Sharp, Good Luck in Jail, Luau. 2- os vocais estranhos de Rick Froberg, finos, anasalados, que variavam horas em berros ensurdecedores, hora melodias muito bem encaixadas (talvez as partes que levam as pessoas a relacionar DLJ com emo...), hora uma voz de chicano mole e preguiçosa, muito particular dele, que denuncia sua presença em qualquer outra banda que cante. às vezes usava essas três modalidades em uma só musica, como em If it Kills You, Hand Over Fist, ou na genial, clássica, obra-prima Do You Compute. 3- tempos muito quebrados, confusos, uma lógica que parecia só deles; esse último detalhe nos leva a crer e os aproxima muito mais de um outro termo criado dentro do som moderno: o math rock. as linhas de guitarra e baixo são muito marcantes, mas obviamente quem guia toda a construção fica a crédito da bateria de Mark Trombino. isso é bem claro em musicas como Turn it Off, e confirmado como embrião do math rock a introdução de New Math (que por curiosa coincidência tem uma certa semelhança com New Noise do Refused...), onde guitarra e baixo param justamente em pontos não especificados na construção, a não ser pela vontade própria da bateria; não existe lógica nesse tempo reproduzido, apesar de ser uma sequencia básica de 3 acordes sabbathianos. conclusão: adiantados, foram incompreendidos.
as guitarras de John Reis, aka Speedo, sempre merecem destaque. esse é outro que nem precisa abrir a boca pra se notar sua presença numa banda: os timbres da guitarra e acordes são muito caracteristicos seus. a fórmula desconstrutiva de seus arranjos se prolongou por um tempo pelo caminho do Rocket From The Crypt, que posteriormente foi ficando mais cru e urgente, mas ainda assim de timbres reconheciveis. aliás RFTC, banda que, pelo sucesso alcançado, foi a provável causa do fim do Drive Like Jehu. em outro caso qualquer eu diria que foi um tremendo desperdicio de potencial; mas do RFTC simplesmente não dá pra dizer isso, como eu anteriormente já demonstrei, mea culpa, aqui nesse blog.
presente: a curtíssima e influente discografia do Drive Like Jehu, que inclui 2 discos:

(drive like jehu)

e atenção para a noticia extraordinária que recebi de última hora!!: o astro do pop Michael Jackson morreu, faleceu, foi dessa pra melhor... o quê?... heim?... já fazem umas 2 semanas?? sério?... nossa. que coisa.