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sobre a obviedade - considerações gerais da campanha eleitoral de 2010.

  • quarta-feira, 3 de novembro de 2010
  • Wash.
















  • brava gente brasileira (tsk...):

    vamos deixar bem claro alguns pontos que vieram à tona nessa eleição, inclusive aqueles que, apesar do ano vigente de 2010 - o ano em que supostamente "fariamos contato", e apesar de estar ciente que algumas coisas ainda existem nos dias de hoje, mesmo assim, confesso que me estarreci. aos fatos:


    * me parece que ficou claro que não havia canditatos. não ganhou o candidato com a melhor proposta porque NÃO EXISTIA um candidato com melhor proposta: ou continuava o programa do atual governo (que ao meu ver foi o melhor que se conseguiu nos últimos 30 anos) com uma candidata duvidosa, ou voltava aos moldes do bom e velho BRASIL-SUBMISSO-LAMBE-BOTAS-DE-GRINGO ostentado até oito anos atrás. ou, num terceiro e esdrúxulo caso, se chutava o balde geral com um candidato "pequeno" e deixava o barco tocar à deriva, estilão "seja o que deus quiser". o voto foi puramente cívico, porque o cidadão brasileiro acredita que votar é um "direito" seu (resultado do trauma de anos de regime militar ditatorial) e nem cogita que também é seu direito não ir até lá votar . se bem que 21% de abstenção nesse segundo turno já deixa claro o valor que os candidatos tiveram pro eleitorado.

    * ficou claro também que o eleitorado brasileiro é dividido em 2 classes sociais distintas: de um lado a classe baixa e a classe que ainda beira a miséria, tentando manter os poucos benefícios que conseguiram nos ultimos oito anos, e que se equilibra do jeito que dá, porque antes nem isso conseguia fazer. de outro lado a classe alta, que AMA ter seus previlégios, seus conluios, que é louca pela submissão aos países de "primeiro mundo", os mesmos que estão pedindo água pro BRIC nesse exato momento. num entremeio fica a suposta classe média, os profissionais graduados nas Uni-qualquer coisa que, pretenciosos ao extremo, acompanham a idéia burguesa que "governo populista é comuna-marxista-pedo-canibalista" (juro que eu não sabia que ainda existia gente vivendo na Guerra Fria. e pior: no Brasil)

    * ficou claro também um absurdo impensável pra um país miscigenado: o separatismo xenofóbico da região sul-sudeste para com a região norte-nordeste, demonstrando a abrangência que a burrice atinge, inclusive aos jovens que frequentam universidades e aos quais se espera o mínimo de cultura e um óbvio senso de liberdade, de esclarecimento social, de saber o seu lugar no mundo e saber respeitar diferenças. cheguei à conclusão que eu espero demais desse povo daqui. ao menos eu esperava que fossemos melhores que americanos, no quesito "pensante"... mas não: é tudo farinha do mesmo saco. ainda bem que o Bush Jr. não se candidata aqui: capaz dele ganhar com folga...

    * falando em burrice e conservadorismo, entendi também que o estado se diz laico... mas é só apertá-lo na parede que ele ajoelha e grita "aleluia", faz declarações conservadoristas sobre assuntos muito bem resolvidos desde a década passada, como direito de aborto, opção sexual e uso de preservativo: candidatos escolhendo deuses do imaginário popular e deixando de lado saúde pública e direito social, veja só à que ponto chegou! próximo passo? políticos se ordenando pastores, padres assumindo cadeiras no congresso, o país mudando de nome pra República Fundamentalista Cristã do Brasil.

    * também ficou evidente o caráter "ético" da grande imprensa de massa brasileira. veja bem: concordo que a liberdade de imprensa se faz de importância  crucial para o mantenimento da democracia e direitos de um povo; e que a imprensa tem SIM que agir como oposição aos orgãos governamentais e indicar o que está sendo feito por trás das cortinas do poder; mas o que vimos aqui foi a imprensa brasileira simplesmente extirpar a imparcialidade de suas reportagens. e pior: MANIPULOU descaradamente a informação da forma que bem lhe conveio, apoiando cegamente algo que já experimentamos à um passado recente da nossa historia, e o que não entalou na garganta, a congestão foi pesada. A grande diferença da informação nesse ano futurístico foi exatamente essa via por qual eu escrevo, você lê, ele opina e nós rebatemos. a internet foi bem usada (claro: quando se sabe procurar e ir à fontes confiáveis. o que não é difícil, diga-se de passagem.)

    * e voltando ao "direito" do voto, uma coisa não ficou muito esclarecida pra mim: por quê, me diga, que quando uma pessoa não está interessada em votar, ela escolhe um "candidato" engraçadinho, que cria um jargão ridículo ou que fala o maior número de besteiras por centímetro quadrado da televisão,  escolhe e vota nesse aí com gosto e obstinação??? e depois ainda diz que foi "voto de protesto"??? assim, né... eu nunca perdi mais que 2 ou 3 minutos da minha vida pensando nisso, mas eu pergunto: já pensou em anular o voto? já pensou em NEM SAIR de casa pra votar??...
    pois é, povo. analisando esses poucos pontos, só me chega um reboliço de pensamento na cabeça: o futuro se mostra cada dia mais sinistro e tamo na pica do saci, viu. prestenção, brasileiro: usa pelo menos 2% dessa massa cinzenta ae, resolve "trabalhar esse lado de pensar", como diz umas modelos apresentadoras de televisão, hm? que tal?...

    1 coffee junkies:

    1. Marcos Ribeiro disse...
    2. vc, poderia usar a tua inteligencia logica para abdicar-se de certas coisas para ajudar em certos asuntos, criticar nao fica só em criticar, sabes que o povo por parte da maioria sempre foi uma massa dificil de se conter, e criticar o povo inocente é incoerencia da nossa parte, pq nao falar como nós mesmos procedemos, como somos injustos e indignos, motrando nossa fraqueza quem sabe consigamos mostrar o que estar errado.
      ótima postagem, fica com Jah!

      24 de janeiro de 2011 20:32