• domingo, 18 de outubro de 2009
  • Wash.


  • isso é um bagulho absurdo de bom, simplesmente achei que todo mundo que frequenta esse meu "escriturado", ou que um dia o frequentará, necessita de ver esse video ao menos uma vez na vida.

    nota do bastardo - o embate entre Stan Getz e John Coltrane é fuderoso, mas nota como o Coltrane se destaca: nota a postura de encaixe de notas comportadas do Getz, uma ponte que alavanca a próxima nota exata, complascente, aveludada; depois nota a abordagem do Coltrane, entra engolindo tudo, semi-notas dedilhadas muito rapidas, que morrem logo pra dar passagem pras próximas, urgentes, atropelando as que tiverem na frente como num GTA de notas perdidas, tentando usar a maior quantidade delas por centímetro quadrado! holy fuck, man.....

    err... exagerei?

    sobre métodos (excerto #1)

  • quinta-feira, 15 de outubro de 2009
  • Wash.
  • sou metódico, notei isso hoje, sou metódico até com meu jeito de caminhar, veja que coisa. notei que meu imediatismo me impede de fixar o olhar no horizonte, sinto como se mesmo com passos largos nunca alcançaria a distância a se percorrer; horizontes são inalcançáveis. a cabeça levemente reclinada e os olhos buscando o meio metro seguinte funciona muito melhor. você guia os pés em torno de cada imperfeição da calçada, de cada depressão no asfalto, de cada possa dágua estratégicamente colocada como obstáculo. e quando você se dá por si, essa é a melhor parte; quando se dá por si, já chegou!

    compreendo o bem e o mal que isso me faz, mas diabos, as vezes eu preferiria não ser tão centralizado em meu torno quando olho pro resto do micro universo em minha volta: isso soa medieval pra mim. ou pra qualquer outra pessoa que se sinta da mesma forma, acredite.

    o que me conforma é que esse "concebimento" do que há ao meu redor ainda me mantém vivo. vivão e vivendo, tio. não me transformou em estatística ainda. word.

    sobre paternidade e bebedeiras

  • segunda-feira, 28 de setembro de 2009
  • Wash.
  • (comecei a escrever esse texto no dias dos pais, e só consegui terminar agora, quase 2 meses depois: meu computador quebrou e tenho ido pra casa só pra tomar banho e dormir, portanto tendo isso como prólogo, vamos às vias-de-fato da pataquada, digo, do texto)

    ***

    me perguntaram o que eu ganhei no dia dos pais. teve resposta insípida e grosseira: "nada pô... nem pai eu sou! e nem o capricho de ser eu tenho" ...pelo menos até onde eu sei, né. nunca me vieram reclamar paternidade ou pensão ou diabo qualquer relacionado à isso e se existisse, tenha certeza, se existisse essa possibilidade, reclamariam. ahh! reclamariam...

    mas gente!, que mal há ser um adulto em plena crise de meia-idade, sem um futuro reforçado por previdência social, sem um puto no bolso... e sem filhos!! pra outras alternativas sempre existe um motivo, mas pra filhos não??: pros diabos com essa conversinha! não me venha com essa estória "cristã" de que todo homem formado, pra ser homem, precisa de filhos, porra!, que argumento cretino. ideia assim só poderia ter base em dogma religioso mesmo - aliás me tremo pra não entrar nesses assuntos. não preciso ser chamado de "infiel" ou "ateu" sem um argumento mais convincente; haverão oportunidades mais cabíveis, enfim. o caso é que podem até me chamar de egoísta, mas já me basta a minha vida, com qual nem mesmo dela dou conta sozinho, o que me dirá uma criança pra cuidar! além disso, tendo como base a equação simples feita entre a quantidade de pessoas já plantadas no mundo com a possibilidade de agua, comida e emprego pra todo mundo daqui a 30 anos, supostamente quando um filho meu chegaria a idade adulta... bem, olhando por esse ponto de vista eu diria que tenho um problema a menos. resumo o planograma, encerro esse assunto e passo pro outro. fácil assim, passa a régua e fecha a conta.

    sim, lembrei. a coisa estranha que eu vi nesse último dia dos pais foi uma sugestão de presente, não muito ortodoxa: "deixe a casa do seu pai mais aconchegante, dê flores ao seu pai!"; olha só, não que eu seja um modelo de humanóide preconceituoso, cheio de rancor e hostilidade no coração. sim, um pouco eu tenho, confesso! mas não vem ao caso; o que diria meu pai, por exemplo, se eu viesse até ele com um ramalhete de flores? diria conclusivamente o seguinte: "mas que diabo é isso? é pra sua mãe? o que você supõe que eu deva fazer com isso? colocar num vaso na minha mesa no escritório?...". bom, a resposta dele seria convincente. uma garrafa de whisky ou um livro de fisica mecânica seria muito mais útil pra ele. pra mim também. não o livro de fisica: só a garrafa de whisky.

    alias esse negócio de beber demais tá ficando sinistro pra mim. não sei bem se voltar a vida de solteiro tem à ver com o fato, mas minha cota de alcool semanal tem aumentado consideravelmente: agora faz parte da minha rotina levar 3 latas de cerveja e um pacote de Doritos pra casa, todo santo dia, depois do trabalho. uma dose de vodca com soda também faz parte, esporádicamente. juro que nunca fui assim! quanto aos fins de semana então, nem sei se é digno de relatos...

    não que eu tenha um passado à niveis de Henry Chinaski, e apesar de alguns ainda me conhecerem como bebassa, poucos tiraram a prova de até onde eu poderia chegar na depreciação da imagem humana, como um verme jogado na calçada com cachorros lambendo a boca espumosa. algumas poucas vezes bebi o suficiente pra não me lembrar do aconteceu no dia anterior, ou de chegar ao ponto grotesto de gorfar no colo de alguma garota, isso nunca! - (quase) nunca vomito, coisa que me beneficia enquanto "bebedor inveterado" (meu deus...). mas enfim, já que comecei nesse assunto, vamos enfeitar um pouco em torno; meu primeiro copo americano cheio de cerveja eu bebi, creio eu, com uns 4 anos de idade. todo o crédito da iniciação vai pro meu grande (finado) tio Sebastião. um bom bebedor, que ao lado do meu pai, e para o terror das esposas, adoravam ver os filhos pirralhos entornando um copão de cerveja, só pra ver a merda feita depois: criança trançando as pernas, caindo à toa, dando risada de formiguinha andando no azulejo da cozinha... e dormindo rapido, claro, criança que dorme não enche o saco de adulto. de repente era uma boa ideia. mas, com um resultado tenebroso, deu no que deu: já cresci com gosto pro alcool.

    a evolução dessa situação criada na tenra idade da inocência obviamente não poderia ser diferente: ainda jovenzinho tive hepatite contagiosa, o que me proibe de certa forma a ingerir quantidades categóricas de alcool. agora me pergunta: você pensa que isso altera alguma coisa? e complementa: você pensa que isso vai dar num bom resultado num futuro proximo? bom, eu diria que apesar de não possuir uma aparente tendencia à auto-destrução, mesmo assim não penso no futuro como deveria pensar. ando com essa meia impressão de "Lobo da Estepe" ultimamente, sabe. não que eu esteja predizendo sobre o que pode vir à acontecer, mas afinal uma hora dessas nós todos morreremos mesmo! e apesar disso eu tenho a impressão que ainda me resta alguns milhares de copos de cerveja e umas centenas de garrafas de vodca pra consumir, até a hora chegar.

    de resultado mesmo, só me resta saber quem vai pro chão primeiro: eu ou minha dignidade.

    lavador de pratos #1

  • quinta-feira, 27 de agosto de 2009
  • Wash.
  • e o lavador de pratos voltava para casa, cabisbaixo, cansado de mais um desses dias transbordantes de intolerância sobre aquele trabalho de futuros incertos. "que diabos eu estava pensando quando eu disse "olá"?, ele dizia pra si mesmo, enquanto repaginava mentalmente suas fotos mais especiais, e se colocava por detrás das lentes, como um narrador em terceira pessoa, pra tentar lembrar melhor o que o fotógrafo em questão via ali, naquele momento único, e se fazia parecer com um espião, um intruso de seu próprio passado.

    uma coisa o incomodava sobre as fotografias: se colocando em seu lugar, no lugar adequado como o figurante-foco da foto, ele nunca se lembrava de como foi parar lá, naquele lugar. e não se lembrava de como estava a pessoa que apertava o botão da câmera, e nem dos diálogos estabelecidos naquele momento: era como se parte da sua alma tivesse sido roubada, de fato, naquele exato momento do clique, como nas antigas estórias indígenas.

    e o lavador de pratos chega em sua casa, ali entre os cortiços abandonados e as calçadas podres. esgotado. milhares de pensamentos se interpelando uns aos outros. mas um se sobressaía: "que diabos eu estava pensando quando eu disse "adeus"? e nesse momento ele tinha dois semblantes: um externo, inexpressivo, indiferente de tudo que o rodeia, e um interno, agonizante, aquela sensação de quem fez uma puta cagada, algo irreversível, imutável. incurável. preparou a comida do gato e uma refeição pra si, tragada e embolada sobre uma garrafa de cerveja. saiu na porta da cozinha e sentou no degrau, desconsolado, acendendo um cigarro.

    então ouviu um sibilo vindo das sombras detrás da caçamba de lixo, um grunhido alongado, feito um imenso e orgânico arroto seco. levantou intrigado, curioso feito seu gato em ambiente estrangeiro a si, e se aproximou da caçamba. da escuridão se escancara a mandibula préistorica de um crocodilo imenso de 3 ou 4 metros de fuça à rabo, o abocanha e engole inteiro o lavador de pratos, inerte a qualquer reação. se arrasta de volta para as sombras, mudo, mimetizando a escuridão, como se não tivesse saído de lá. como se nunca estivesse lá.

    sobre quizes do Facebook (ou Thomas Pynchon) (ou Tristan Reveur)

  • quinta-feira, 13 de agosto de 2009
  • Wash.
  • óbviamente você já deve ter feito um desses "quiz" do Facebook. pois bem, minha singela opinião, se é que ela vale de algo (e nesse momento vale!) : a maioria são imbecis, são uma grandississima perca de tempo, alguns são bem barangos mesmo... mas a merda é VICIANTE!!! alguns pouco são geniais, principalmente pra gente aficcionada em Top Lists, como eu sempre fui, desde pequeno. assim que aprendi a escrever, uma das primeiras coisas que fiz foi começar a relacionar todos os Top Lists que eu tinha em mente, uma coisa assim bem de "criança com TOC", coisas inúteis como as maravilhas da antiguidade, tudores da Inglaterra, programas de tv, musicas de rádio, comediantes, atores, músicos, bebidas, mesinhas de ferro de buteco... qualquer merda. mas enfim, voltando ao Facebook, eu acabei que preenchi, entre outros quizes, um que dizia "Qual Escritor Maluco Você É?"; o resultado foi Thomas Pynchon. curioso ter dado esse resultado porque uns dias antes eu estava fuçando informações justamente sobre esse cara: um pirado recluso, desde 1950 ninguém sabe exatamente como é sua cara, a não ser seu editor. odeia repórteres, entrevistas... qualquer coisa que coloque um dedinho em sua privacidade (no pum intended) o cara surta e desaparece! da mesma laia de gente como JD Sallinger ou o nosso "vampiro de curitiba" Dalton Trevisan. mais um detalhe pra adicionar a personalidade perturbada do fita: só escreve sobre conspirações e relações auspiciosas sem um fio aparente que as ligue. contracultura, pop art, drogas e rock'n roll também fazem parte do cardápio do sr. Pynchon "freak blood sucker" ou o que quer que ele seja. isso tudo foi motivo de sobra pra que eu procurasse com afinco um livro dele. minha intensão era encontrar "O Arco Iris da Gravidade", mas "V" foi o que eu encontrei primeiro. comprei, comecei a ler. até o exato momento não tô entendendo PORRA NINHUMA... mas vamos esperar até o final e eu falo o que acontece. (se eu entender, claro).

    Nesses mesmos dias de paralelos coincidentes (tem a ver, pode crer!) aconteceu-me de rever um filme que há uns meses atrás me passou completamente desapercebido, simplesmente não me chamou a atenção, sei lá porque. o filme era "Stay", que pra variar recebeu o nome suecado de "A Passagem". nem comento. enfim, tem no cast Ryan Gossling, Ewan McGregor e aquela loirinha, err... Naomi Campbell, essa ae!

    vá lá, dessa vez eu tava mais relax e dei mais atenção pra trama. de primeira mão, parece só mais um draminha bobo: um psicólogo tentando ajudar seu paciente, um candidato à suicida que tem até data marcada para o evento, e blablabla e coisa e tal, e vai o doutor tentar convencê-lo à não levar a promessa à cabo, e blablabla e coisa e tal. mas com devida atenção, a estória se revela muito mais que isso. revela um garoto reservado, intrigante e auto-destrutivo, que consegue manipular dèja-vus!! (sei lá como ele faz isso). o desenvolvimento disso meio que transforma a realidade do psicólogo num vai-e-vêm de dèja-vus, num misto de confusão de identidade e sonho de noite mal-dormida. se falar mais, estraga.

    a parte que me interessa segue meio por fora disso; em certa parte do filme, o psicólogo descobre que o garoto frequenta uma livraria onde, de acordo com o livreiro, ele teria trocado algumas pinturas de sua autoria por um punhado de livros, todos do mesmo autor: Tristan Reveur. Você já ouviu falar em Tristan Reveur? então. no decorrer do filme não se toca muito mais no nome desse cara, daí eu fiquei em casa pensando "tristan reveur, tristan reveur... quem foi esse cara que eu nunca ouvi falar, diabos??"

    internet serve pra essas coisas de curiosos-nerds-atormentados que não se seguram à uma nova informação, têm que saber, PRECISA saber do que se trata. é uma compulsão, eu concordo, mas isso já livrou minha cara em provas sobre assuntos da atualidade e desenvolvimento de conversas de mesa de bar com gente que eu acabara de conhecer, entende?... no fim, tem a sua utilidade. então era um fato novo que eu não sabia nada sobre o cara. corre pra internet e já bota lá no campo de busca do Google, Tristan Reveur.

    eis que pra minha surpresa, as informações que se tem sobre esse cara... não existem! tristan reveur foi um escritor influente e famosíssimo... inventado pro filme. e eu adoro essas coisas! é legal ser categóricamente enganado! no bom sentido, é claro. sim, existe um bom sentido em ser enganado: ser passado de trouxa, corneado, roubado, isso não é legal. mas algo que, de certa forma, te faz acreditar numa coisa que não existe? isso é fato de ser aplaudido de pé, eu penso. o lance da Bruxa de Blair, poxa, eu sei que aquilo é malhado, ficou demodé... mas quando o filme saiu, botaram maior pilha de que os acontecimentos realmente haviam acontecido, inclusive firmando credibilidade com o fato dos atores do filme simplesmente SUMIREM dos avant-premiéres e entrevistas de lançamento. na época eu achei genial; técnica de marketing inovadora. agora eu acho interessante.

    hmm, é isso. Thomas Pynchon pra Stay pra Tristan Reveur pra Bruxa de Blair pra nada mais. se isso fosse um exercício de aula de redação, o tema seria: "transite de um tema para outro de forma desordenada, afm de deixar o leitor sem entender o que vc quer dizer..."

    sobre assuntos que não conseguiremos entender nunca.

  • sexta-feira, 7 de agosto de 2009
  • Wash.
  • hoje, não por acaso, tive o insight de pensar que a vida é como um relógio. não um relógio qualquer. um bem específico; um relógio de pulso que em 1945 foi encontrado em Hiroshima e que marcava, congelado, a hora 15h39: hora exata que a bomba caiu no epicentro da explosão. momento fotográfico, 70 mil vidas ceifadas instantaneamente. claro, isso é muito mais significante do que se imagina, mais significante do que até onde vão nossos motivos obsoletos. mas pensa bem: um relógio, apenas um relógio, representando toda a razão por trás disso, cada vida e cada motivo de viver, tudo representado num momento fixo do tempo. e lá se foram todos os detalhes de 70 mil vidas pela razão equivalente de apenas um punhado de interesses politicos: a complexidade da estória toda mora aí.

    complexidade, ahhh! a complexidade! já tem um tempo que eu venho notando um fato pitoresco na minha vida - ou na vida dos outros, você decide: (quase) todas as pessoas que me cercam, de certa forma, sibilam entre a genialidade e algum disturbio emocional ou mental. a escolha é minha, óbvio, mas as caracteristicas são marcantes: manias, paranóia, TOC, depressão, sindrome do pânico: parece que é uma REGRA contra a vida comum, contra a vida ordinária: se quer ir contra a maré, ok!... mas não vai sair ileso!! essa é a condição. essa é a lei gravitacional. é o preço que se paga por ser diferente. é a controversia da vida social instituida. é o reverso do conformismo estipulado.

    eu me firmei, com auto-votação unanime, entenda, como integrante de uma geração inteira que PRECISA de um disturbio pra poder viver na sociedade EM PAZ consigo mesmo. é inevitável e faz parte de todo um ciclo de evolução involuntária, o mesmo ciclo iniciado há seculos atrás, por Galeno, procurando uma "alma orgânica" no que ele inconscientemente chamou de Retemirabile; uma idéia que mais tarde foi depurada por Descartes, depois exaltada por Nietsche, depois decomposta por Dostoyevski, depois desmistificada por Sartre... e depois massificada, estereotipada e banalizada por... nós!, a massa moderna que PENSA que sabe tudo.

    eu faço parte disso. veja bem: hoje pensei muito sobre cada motivo que me leva a tomar cada decisão do dia-a-dia. pensei sobre cada decisão tomada e sobre cada consequência exercida por essas pequenas decisões. pensei muito, mas muito mesmo, sobre a idéia formada que tenho sobre o mundo em que vivo, de como ele foi um dia, e sobre como ele poderá vir a ser, num futuro incerto. pensei também sobre o que o cara que voava no Enola Gay sentiu quando soltou a bomba sobre Hiroshima. e pra variar, eu sempre penso em filmes: pensei num filme que eu vi, um tempo atrás, na tv mesmo, chamado In the Edge, que conta a estória de um cara que rouba um carro e se joga de um precipicio com ele, basicamente pra "ver qual é", e mais tarde, sendo forçado a integrar um "grupo terapeutico de suicidas", percebe o que rola de verdade - DE VERDADE - nesse mundo: em SEU mundo, no mundo que ele inevitavelmente foi inserido. o resultado é triste, mas é, como a proposta mesmo diz, inevitável. porém ainda é esperançosamente reversível.

    me peguei, enfim, pensando que todos estamos sujeitos à essa intempérie da evolução. eu, que perco meu tempo falando sobre o que não sei direito. você, que ocasionalmente perdeu seu tempo lendo isso. ele, que teve o impulso de cometer o que teve vontade.
    e no fim, não tive coragem de recriminar ninguém. afinal, quem foi Galeno? quem foi Descartes? quem foi Nietsche, Froyd, Hesse, Sartre?... ora! quem sou EU, pra julgar os motivos de cada um?...


    (in memorian ao bom amigo Marco "jegão")

    e mais uma temporada de bloqueio...

  • sábado, 1 de agosto de 2009
  • Wash.
  • "só trabalho sem diversão faz de Jack um bobalhão."
    "só trabalho sem diversão faz de Jack um bobalhão."
    "só trabalho sem diversão faz de Jack um bobalhão."
    "só trabalho sem diversão faz de Jack um bobalhão."
    "só trabalho sem diversão faz de Jack um bobalhão."
    "só trabalho sem diversão faz de Jack um bobalhão."
    "só trabalho sem diversão faz de Jack um bobalhão."
    "só trabalho sem diversão faz de Jack um bobalhão."



    seria uma boa ir pra um hotel, em pleno vigor do inverno e no meio do nada, pra aparecer um pouco de inspiração??... acho que não precisa tanto, né: bastaria ir até um Starbucks com meu laptop debaixo do braço, sentar numa mesa isolada e pedir um expresso grande, pra poder ficar toda hora misturando com leite de graça e com o açucar aromatizado de baunilha. é, funcionaria de certo. se a bateria do meu laptop ainda funcionasse, com certeza eu faria isso. saco de bateria viciada...

    da série "bandas que não merecem o esquecimento": Drive Like Jehu

  • terça-feira, 14 de julho de 2009
  • Wash.

  • às vezes me empolgo um pouco com certa banda quando começo a ouvi-la constantemente. com o Drive Like Jehu é um pouco diferente: eu me empolgo SEMPRE que eu volto à ouvi-los. deixo-os um tempo de lado, mas depois, quando coloco pra ouvir de novo, eu penso "mas que carajo de banda genial essa: entra banda e sai banda do meu ouvido e o Drive Like Jehu continua me surpreendendo toda vez que boto seus discos nos meus headphones..."

    a genialidade dessa banda foi, como sua efêmera duração, curta e grossa. e infelizmente foi pouco compreendida por publico e crítica. digamos que referência - isso pode parecer cretino, mas é verdade - tem um papel fundamental no sucesso de uma banda: sem entender as tendências pra onde o som moderno discorre, sem essa referência, a midia especializada fica perdida. a identidade de uma boa banda pode ser, dessa forma, mastigada e descartada. destruida. todos eles, sim, compreendiam que os Jehu eram geniais, visionários, a frente de seu tempo, mas por falta de referência maior classificavam seu som como um dos pontos de partida do chamado emocore. Drive Like Jehu não é emo: fato. e tenho quase certeza que foi isso que afastou o publico que buscava o emocore e que afungentou o publico sem maiores pretensões a não ser a busca por novas sonoridades. isso destruiu a credibilidade sonora da banda. resumindo sem ser especifico: em dados momentos soavam como uma banda desert tipo Kyuss ou Fu Manchu, com uma veia punk na praia Greg Ginn / Die Kreuzen, e com resquícios de grunge a lá Tad / Green River. ok, hoje em dia eu consigo definir isso. mas e quando eles começaram a tocar, no começo dos anos 90, quem se arriscaria a lançar esses palpites??...

    o que seria o som do Drive Like Jehu então? analises, vamos lá. 1- construções enormes e disconexas, mudanças bruscas de andamento, dissonância constante usando as pontes do braço e da entrada das cordas da guitarra, como em O' Pencil Sharp, Good Luck in Jail, Luau. 2- os vocais estranhos de Rick Froberg, finos, anasalados, que variavam horas em berros ensurdecedores, hora melodias muito bem encaixadas (talvez as partes que levam as pessoas a relacionar DLJ com emo...), hora uma voz de chicano mole e preguiçosa, muito particular dele, que denuncia sua presença em qualquer outra banda que cante. às vezes usava essas três modalidades em uma só musica, como em If it Kills You, Hand Over Fist, ou na genial, clássica, obra-prima Do You Compute. 3- tempos muito quebrados, confusos, uma lógica que parecia só deles; esse último detalhe nos leva a crer e os aproxima muito mais de um outro termo criado dentro do som moderno: o math rock. as linhas de guitarra e baixo são muito marcantes, mas obviamente quem guia toda a construção fica a crédito da bateria de Mark Trombino. isso é bem claro em musicas como Turn it Off, e confirmado como embrião do math rock a introdução de New Math (que por curiosa coincidência tem uma certa semelhança com New Noise do Refused...), onde guitarra e baixo param justamente em pontos não especificados na construção, a não ser pela vontade própria da bateria; não existe lógica nesse tempo reproduzido, apesar de ser uma sequencia básica de 3 acordes sabbathianos. conclusão: adiantados, foram incompreendidos.

    as guitarras de John Reis, aka Speedo, sempre merecem destaque. esse é outro que nem precisa abrir a boca pra se notar sua presença numa banda: os timbres da guitarra e acordes são muito caracteristicos seus. a fórmula desconstrutiva de seus arranjos se prolongou por um tempo pelo caminho do Rocket From The Crypt, que posteriormente foi ficando mais cru e urgente, mas ainda assim de timbres reconheciveis. aliás RFTC, banda que, pelo sucesso alcançado, foi a provável causa do fim do Drive Like Jehu. em outro caso qualquer eu diria que foi um tremendo desperdicio de potencial; mas do RFTC simplesmente não dá pra dizer isso, como eu anteriormente já demonstrei, mea culpa, aqui nesse blog.

    presente: a curtíssima e influente discografia do Drive Like Jehu, que inclui 2 discos:


    (drive like jehu)

    (yank crime)

    ah, sim, detalhe para o pitoresco nome da banda. ri muito quando soube o porquê desse nome estranho, DRIVE LIKE JEHU: meu amigo Pedro Carvalho havia me comentado algo sobre esse cara bíblico e doido varrido que tinha esse nome; fucei bem fuçadinho e vi que era mais ou menos isso mesmo: Jehu era um general que virou rei de Israel lá por 800 a.C., que dirigia violentamente sua carruagem feito louco pelas ruas. drive like jehu. dirigindo como um doido: nome genial, não podia ser melhor. descobri que referências de estórias bíblicas bizarras e escrotas sempre saem coisas boas. as músicas dos Pixies, Violent Femmes e Bad Brains que o digam.

    ***

    e atenção para a noticia extraordinária que recebi de última hora!!: o astro do pop Michael Jackson morreu, faleceu, foi dessa pra melhor... o quê?... heim?... já fazem umas 2 semanas?? sério?... nossa. que coisa.

    sobre a obrigatoriedade de um manual para uso correto do cérebro.

  • segunda-feira, 6 de julho de 2009
  • Wash.


  • as letras estão muito pequenas e tá com o modo "bad english" ligado, né. ok, eu traduzo, porque merece ser lido:


    eu não poderia trazer uma criança a um mundo que não tem mais Michael Jackson?

    "meu marido e eu estamos tentando engravidar há 2 anos e finalmente conseguimos desde semana passada. mas agora eu tenho me sentido tão triste sobre a perda de michael jackson que tenho até pensado que não posso trazer uma criança a esse mundo. meu marido diz que me entende e me apoia mas eu não creio que ele me compreenda inteiramente. eu quero abortar. quero abortar agora mesmo porque michael jackson morreu. devo contar ao meu marido sobre isso? eu não quero parecer louca. ele me apoiará?"


    sei lá, viu. às vezes, quando vejo coisas assim, tenho certeza que a humanidade não tem salvação. e com certeza merece tudo de mal que lhe acontecer. acho coerente que a mulher tenha opção sob seu corpo. acho coerente o sexo (seguro) por diversão. e até certo ponto acho coerente que se coloque crianças no mundo - desde que se tenha certeza que você não causará um (grande) estrago na vida dela e ela não interfira negativamente na vida de outras pessoas, o que reduz as opções em pelo menos 90%... mas enfim, sinceramente, uma pessoa descerebrada que diz coisas como essa não merecia viver em convivência com a sociedade, muito menos com os animais. isso é demonstração de desvio social tão grave quanto o de um esquartejador compulsivo. e de modo algum, uma pessoa assim merecia - e nem deveria - se reproduzir. o seu deus é injusto, reconheça!

    ahhh, se houvessem métodos cirurgicos de aborto cerebral... hmm, peraí: lobotomia ainda é usada?...

    sobre fazer algo útil.

  • quinta-feira, 2 de julho de 2009
  • Wash.
  • vou transformar isso aqui em algo de utilidade pública, ao menos uma vez na vida né:

    as duas sobrinhas de uma grande amiga minha foram diagnosticadas com uma doença rara chamada Niemann-Pick C. é uma doença genética-hereditária de disfunção nucleo-celular e degenerativa de orgãos vitais como fígado, baço e cerebral, o que consequentemente afeta gravemente a coordenação motora e o condicionamento fisico do paciente. a dificuldade da sua detecção prematura é um dos piores fatores para as familias e até para a comunidade médica: ela se manifesta na infância até os 15 anos e seus sintomas se confundem muito a outras doenças mais comuns como - e tão graves quanto - alzheimer e parkinson, além do que até o momento não existe uma cura específica, existe só um tratamento de reversão e amenizador da doença, com medicamentos mais usados em outras doenças. esses medicamentos, por lidarem com função celular e ainda estarem em fase de testes, são muito caros - uma caixa chega a custar em torno de 15 a 20 mil reais. a Secretária da Saúde tem projetos de distibuição desses medicamentos importados e caros assim, gratuitamente, para as familias das pessoas diagnosticadas; mas a burocracia em torno da importação e prestação de contas a União dificultam e atrasam os processos por meses e meses, fazendo com que o processo de reversão da doença piore nos pacientes. conheça detalhes da doença, como e de forma ela se manifesta, e como são os processos para adquirir os medicamentos nessa pagina construida pelos familiares dos enfermos:

    se você que acompanha as inutilidades que eu escrevo aqui e me acha um cara legal, leve em conta que eu raramente escrevo assuntos sérios aqui e tenta dar uma força da forma que puder: se você é advogado, juiz ou médico, ou tem algum amigo ou parente que seja, e estiver afim de dar uma força, entre em contato com os familiares pelo endereço nesse blog ae. com certeza qualquer ajuda será bem vinda e eternamente grata, ok people??

    domo arigatôu gozaimashitá.