complexidade, ahhh! a complexidade! já tem um tempo que eu venho notando um fato pitoresco na minha vida - ou na vida dos outros, você decide: (quase) todas as pessoas que me cercam, de certa forma, sibilam entre a genialidade e algum disturbio emocional ou mental. a escolha é minha, óbvio, mas as caracteristicas são marcantes: manias, paranóia, TOC, depressão, sindrome do pânico: parece que é uma REGRA contra a vida comum, contra a vida ordinária: se quer ir contra a maré, ok!... mas não vai sair ileso!! essa é a condição. essa é a lei gravitacional. é o preço que se paga por ser diferente. é a controversia da vida social instituida. é o reverso do conformismo estipulado.
eu me firmei, com auto-votação unanime, entenda, como integrante de uma geração inteira que PRECISA de um disturbio pra poder viver na sociedade EM PAZ consigo mesmo. é inevitável e faz parte de todo um ciclo de evolução involuntária, o mesmo ciclo iniciado há seculos atrás, por Galeno, procurando uma "alma orgânica" no que ele inconscientemente chamou de Retemirabile; uma idéia que mais tarde foi depurada por Descartes, depois exaltada por Nietsche, depois decomposta por Dostoyevski, depois desmistificada por Sartre... e depois massificada, estereotipada e banalizada por... nós!, a massa moderna que PENSA que sabe tudo.
eu faço parte disso. veja bem: hoje pensei muito sobre cada motivo que me leva a tomar cada decisão do dia-a-dia. pensei sobre cada decisão tomada e sobre cada consequência exercida por essas pequenas decisões. pensei muito, mas muito mesmo, sobre a idéia formada que tenho sobre o mundo em que vivo, de como ele foi um dia, e sobre como ele poderá vir a ser, num futuro incerto. pensei também sobre o que o cara que voava no Enola Gay sentiu quando soltou a bomba sobre Hiroshima. e pra variar, eu sempre penso em filmes: pensei num filme que eu vi, um tempo atrás, na tv mesmo, chamado In the Edge, que conta a estória de um cara que rouba um carro e se joga de um precipicio com ele, basicamente pra "ver qual é", e mais tarde, sendo forçado a integrar um "grupo terapeutico de suicidas", percebe o que rola de verdade - DE VERDADE - nesse mundo: em SEU mundo, no mundo que ele inevitavelmente foi inserido. o resultado é triste, mas é, como a proposta mesmo diz, inevitável. porém ainda é esperançosamente reversível.
me peguei, enfim, pensando que todos estamos sujeitos à essa intempérie da evolução. eu, que perco meu tempo falando sobre o que não sei direito. você, que ocasionalmente perdeu seu tempo lendo isso. ele, que teve o impulso de cometer o que teve vontade.
e no fim, não tive coragem de recriminar ninguém. afinal, quem foi Galeno? quem foi Descartes? quem foi Nietsche, Froyd, Hesse, Sartre?... ora! quem sou EU, pra julgar os motivos de cada um?...
(in memorian ao bom amigo Marco "jegão")






